Saudações internautas! Damos início aos nossos trabalhos
com um assunto muito mais do que nosso,
o preconceito contra os nordestinos.
Há poucos meses, em matéria postada no portal da Rede
Globo sobre a triste tragédia que ocorreu em Santa Maria no Rio Grande do Sul,
certos comentários preconceituosos chamaram a atenção e causaram revoltas entre
os internautas. Outro caso nem tão recente contudo
famoso foi em 2012, quando a universitária Mayara Petruso foi condenada por
publicar mensagens ofensivas contra nordestinos em seu perfil no Twitter.
Em ambos acontecimentos, tem-se jovens sulistas provando
certo comportamento desumano com relação a cidadãos nordestinos. Algo que
se iniciou na década de 1930 quando a migração nordestina iniciou um fluxo
intenso para a região Sul/Sudeste, em ordem de trabalhar em fazendas que produziam
principalmente algodão e café, e em menor quantidade o plantio de
cana-de-açúcar. O trabalho estava relacionado à produção destas culturas
agrícolas, e também com a abertura de matas ligadas com o surgimento de novas
fazendas e preparação da terra para o plantio. Tratados como
"vermes", eram alvo de piadas, perseguidos por sua origem, e até
mesmo atacados moral e fisicamente.
Um segundo fluxo intenso ocorreu a partir da década de 1980
devido à intensificação do plantio de cana-de-açúcar estimulada com a política
do Pró-álcool, principalmente para a região de Ribeirão Preto e Franca.
Novamente tem-se a migração de nordestinos que sobrevivem de trabalhos
subalternos, reforçando a ideia de uma população pobre, sem conhecimento
básico, a clássica mão de obra barata de grandes engenhos.
Atualmente o fluxo dessa migração ainda existe, mas sua
intensidade já não é a mesma. Contudo a essência do nordestino pobre, sem
educação, sem respeito na sociedade sulista permanece nos dias atuais. E se agravou quando a candidata à
presidência Dilma Rousseff ganhou a eleição, a sacada é que, mesmo
nascida em Belo Horizonte, a atual presidente petista retoma a essência de
Lula, ex-presidente e ex-metalúrgico pernambucano, semianalfabeto.
A ignorância de muitos e a indiferença de outros faz com
que essa visão medíocre do Nordeste seja transferida por gerações. Como
apresentado nas notícias acima, o que se vê é o fruto de uma semente do mal
plantada em muitas famílias do Sul e Sudeste, que se transferem para os jovens
das regiões.
Apesar de explorar uma visão elitista para com os
nordestinos, termino esta postagem comentando a tese de doutorado da
antropóloga Elisete Zanlorenzi, que mostra a origem do mito da "preguiça
baiana". Segundo a pesquisadora, a
caracterização do baiano como preguiçoso começa com as grandes migrações de
nordestinos, genericamente chamados de "baianos", para o sul do País.
Os recém chegados, ainda sem emprego, alojavam-se em cortiços ou favelas.
"Estas condições contribuíram para que o termo baiano fosse associado a
outros como sujo, desorganizado, não produtivo e, finalmente, preguiçoso",
explica Elisete.
